(Sim, sei, vocês não sabem de que estou falando porque a beleza desapareceu há muito tempo. Ela desapareceu sob a superfície do barulho - barulho das palavras, barulho dos carros, barulho da música - no qual vivemos constantemente. Está submersa como a Atlântida. Dela só restou uma palavra cujo sentido é a cada ano menos inteligível.)
[Milan Kundera]

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Deslapidada

"Como pode, sem ensino

A gaivota pequenina,

Tão menina, voar pela primeira vez?"

(Oswaldo Montenegro)


Quero te ver deslapidada

Se eu fui o seu primeiro qualquer vinda é volta


Não me vem bater na porta

Dizendo pra te ensinar

Como é que se segue em frente.


Sapato de salto, rímel no olhar,

Batom no beijo e esquece da gente.


Se o primeiro beijo foi o meu, a primeira dança

Se antes de mim você ainda era criança,

Não me pede pra ensinar o teu caminho.


Chega o dia, chega a hora, em que até o ovo deixa o ninho.

E não me pede, águia, pra ensinar-te a ser um passarinho.


Não cansei de ti, não entenda mal.

É só que toda primavera tem o seu final.

Quando todos os botões conseguiram já desabrochar,

É hora, é a última hora de deixar.


Vai viver por si, flor (da idade),

Encontra outro alguém pra ser feliz.

Não cansei dos lábios, dos teus olhos,

Não cansei do teu corpo e da risada.


É que o tempo muda e eu te amo diamante,

Não assim, como que em joia transformada.


Te amo pedra bruta e sempre quero

Ver-te natural, deslapidada.

 

Um comentário:

Gêiser Nobio disse...

Olá, Salomão! Suas palavras são de quem soube esculpir a "pedra bruta" com sapiência de mestre. Parabéns pelo blog.

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Desde já, agradeço por sua atenção!!!

G.N.