(Sim, sei, vocês não sabem de que estou falando porque a beleza desapareceu há muito tempo. Ela desapareceu sob a superfície do barulho - barulho das palavras, barulho dos carros, barulho da música - no qual vivemos constantemente. Está submersa como a Atlântida. Dela só restou uma palavra cujo sentido é a cada ano menos inteligível.)
[Milan Kundera]

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Há livros que não foram feitos para serem lidos.

O LIVRO DO DESASSOSSEGO


Leio bastante, acho, para um adolescente de 17 anos. E tento ler de tudo, dando especial atenção aos livros que dizem ser demais para minha idade ou nível de conhecimento.
O Livro do Desassossego não me foi recomendado e nem mal recomendado por ninguém, a não ser pelo próprio organizador da edição da Cia. de Bolso que disse na introdução ser o L. do D. um des-livro que faz parte (ou só caberia, não lembro bem) numa des-biblioteca. E que é uma "coisa", como disse o mesmo organizador, Richard Zenith.
Comprei o livro de manhã, no fim do ano passado, num dia de cursinho. Li algumas páginas, vinte, se quiser ser quase exato, e terminei o dia triste, chorando pesado e em silêncio antes de dormir. Esse livro me faz mal.
Conversando com outros alunos de Letras da Universidade de São Paulo, confirmei minha teoria: não sou sentimental demais. O livro realmente faz mal.
Um professor de cursinho de uma das minhas amigas disse que ganhou uma cópia do Livro de um aluno dele, e completou: há livros que a gente ganha, e tem, ficam guardados, mas a gente não lê. Tem livro que não é pra ser lido.


Aos interessados:
http://ateus.net/ebooks/acervo/o_livro_do_desassossego.pdf

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A vida brilha lá fora!

Quero escrever algumas poucas linhas leves.
Uma poesia pequena que promova pululinhos.
Um poeminha bobo, que faça ficar alegre.

Sobre uma criança de cabelos cacheados
Com sardas no rosto, que peça pulando:
- Brinca comigo de pega-pega??

Sobre uma senhora que dê comida para pombos
E leia para cegos recentes, ainda analfabetos.
E fique feliz com isso, de abrir sorrisos.
Mesmo depois da morte do seu marido.

Quero fazer um poema, um pequeno conto, talvez.
Rimando ou não coisas bobas: flores, amores, bela e tarde.
Mas que faça uma menina alta, com vestido xadrez
Colher margaridas para a mesa, na qual está
Um delicioso petit-gateau com sorvete de morango!

Aos pouquinhos tomo coragem, domino a pena
E imagino namorados num piquenique,
Famílias rindo em volta de uma mesa farta,
Um casulo quebrando e dando o espaço
Para as azas azuis de uma grande borboleta.

Escreverei em minutos o meu poema.
Farei só uma pequena pausa agora,
Fez sol hoje o dia todo,
E minhas rosas devem ter sofrido,
Pequena pausa para a água fresca.
E para a vida fora do papel.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Deslapidada

"Como pode, sem ensino

A gaivota pequenina,

Tão menina, voar pela primeira vez?"

(Oswaldo Montenegro)


Quero te ver deslapidada

Se eu fui o seu primeiro qualquer vinda é volta


Não me vem bater na porta

Dizendo pra te ensinar

Como é que se segue em frente.


Sapato de salto, rímel no olhar,

Batom no beijo e esquece da gente.


Se o primeiro beijo foi o meu, a primeira dança

Se antes de mim você ainda era criança,

Não me pede pra ensinar o teu caminho.


Chega o dia, chega a hora, em que até o ovo deixa o ninho.

E não me pede, águia, pra ensinar-te a ser um passarinho.


Não cansei de ti, não entenda mal.

É só que toda primavera tem o seu final.

Quando todos os botões conseguiram já desabrochar,

É hora, é a última hora de deixar.


Vai viver por si, flor (da idade),

Encontra outro alguém pra ser feliz.

Não cansei dos lábios, dos teus olhos,

Não cansei do teu corpo e da risada.


É que o tempo muda e eu te amo diamante,

Não assim, como que em joia transformada.


Te amo pedra bruta e sempre quero

Ver-te natural, deslapidada.

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Crônica da minha morte anunciada.

Serei estátua branca à luz da lua, para sempre

Observando mundo e estátuas outras rindo.

Observando águas ácidas caindo.

E observando placidezes anuviadas.

 

Agasalhado pela dó do povo que admira

Em transe, a estátua que o fita, imóvel

E quando cair chuva e pombas mortas aos meus pés,

Não moverei meus olhos, não poderei mais com as pedras.

 

E quando a luz do sol bater furiosa sobre mim

Indefeso me deixarei queimar. Câncer na tez.

E depois, sem ainda poder me defender,

Esperarei meu fim sem nunca terminar,

Eu nunca, eu jamais terminarei. Eu sou o começo.

 

Mas o começo pode ser interrompido, facilmente

Por um sopro, pela brisa, pela morte

E quando um dia, feliz e finalmente, eu for interrompido,

Ah, me considerarei começo-estátua de sorte.

 

Enquanto ela não vem, o sopro, a brisa, a morte,

Espero sobrevivo sem ser o bom poeta

O bom amigo, o bem-amado.

Ah, não quero ser abandonado à minha sorte.

Eu não só forte como pareço, não sou forte.

Quero ser interrompido pela minha

Desanunciada morte.

 

Não essa morte dos caixões,

Mas a outra, a centrífuga,

Que nos faz tolerar sem esperança.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009








DOROTHY THOMPSON:

Peace is not the absence of conflict but the presence of creative alternatives for responding to conflict - alternatives to passive or aggressive responses,
alternatives to violence."

A sociedade da falta de compromisso

- Vamos amanhã então?
- Que horas?
- Não sei, te ligo pra gente combinar!

----

- Que ir amanhã?
- Ah.. eu preciso ver... ah, ok vai... De tarde?
- De tarde!
- Ok, um beijo!
- Beijo!

----

- Oi, tudo bom?
- Tudo bem, diga!
- Quatro tá bom?
- Ih... você demorou pra me ligar, marquei coisas à tarde... foi mal.