(Sim, sei, vocês não sabem de que estou falando porque a beleza desapareceu há muito tempo. Ela desapareceu sob a superfície do barulho - barulho das palavras, barulho dos carros, barulho da música - no qual vivemos constantemente. Está submersa como a Atlântida. Dela só restou uma palavra cujo sentido é a cada ano menos inteligível.)
[Milan Kundera]

terça-feira, 30 de junho de 2009

Beija-flor



Pássaro de ar, de sopro, ventania
Carta em branco, contrato de alforria
guardado, por injusta garantia.

Sopro do ar batido pela asa
Para longe, para a vida, para casa.
Para o fogo, não à chama, para a brasa.

Flor de lis, com flor do lácio não se casa
com lírio branco, com albatroz faz casa
o beija-flor que beija a flor e beira a casa.

Pequeno ser de tanta fantasia
das páginas, futurísticas, vazias.
Gotas de tinta, presentes, alegrias.

Me rouba do meu reino e me leva para o teu
deixo tudo para trás, vamos, me leva
sem rima, sem palavras, sem letras,
sem nada.
Me leva.

Sem nada.
Me leva.

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